
Hoje minha avó faria 94 anos, ela nasceu em 12/04/1932 e morreu dia 18/12/2024. Ela é uma das pessoas mais importantes de minha vida, por diferentes motivos.
Dentre todas as burocracias que temos que cuidar quando alguém morre em meio a preparativos de documentações, velório e enterro me coube, entre outras coisas, pensar na frase que estaria em sua coroa de flores.
E a frase me veio fácil e pronta:
“Nos reencontramos em nossas memórias”
E assim tem sido.
Produzir memórias é uma das mais bonitas expressões de vínculo que podemos construir com alguém. E felizmente tenho muitas memórias com ela.
Desde as memórias que foram construídas por uma avó presente e participativa na vida de um neto (embora não fosse um convívio cotidiano porque ela morava em São Paulo) até as memórias de um neto adulto que escolheu que sua avó participasse de sua vida.
Sobretudo nos últimos anos, quando sabíamos que seria uma questão de tempo. Câncer é uma doença maldita que produz muito sofrimento, mas permite nos despedir de maneira muito consciente de alguém. E assim foi…
Hoje tenho uma coleção de memórias que me permitem reencontrá-la em muitos lugares, em muitos epsódios da minha vida, e em muitos detalhes cotidianos. Dos grandes eventos de minha história até os pequenos encontros do dia-a-dia que fazem parte daquelas coisas que a gente vive no automático e nem percebe. Eu não vivi no automático.
A minha primeira memória com a minha avó eu tinha uns 4 ou 5 anos. É uma memória dela chegando em casa no domingo com a famosa torta de banana que eu adorava. Minha última memória de interação com ela foi nossa despedida no hospital antes do coma induzido.
Na verdade, considero minha última memória um sonho que tive em seus últimos dias de vida, quando ela já estava em coma induzido e não acordou mais. Para mim, aquele sonho foi a nossa verdadeira despedida, e foi lindo! Meio maluco como todos os sonhos, mas com uma conversa lúcida e viva que jamais me esquecerei.
O que ouvi de minha avó naquele sonho eu considero que foi o último presente que ela me deu.
Hoje é, sem dúvida, um dia triste. Despedidas são tristes. A saudade é triste. A ausência é triste. A morte de quem a gente ama é uma das maiores tristezas da vida. Mas é um dia de alegrias também. De celebração de sua vida, de celebração da nossa história.
Doze de abril é dia de reencontrá-la em nossas memórias, e que sorte a minha, tenho uma coleção farta delas!
Parabéns, vó!
Rafa Dutra