{"id":192,"date":"2026-03-23T00:01:00","date_gmt":"2026-03-23T03:01:00","guid":{"rendered":"https:\/\/rafadutra.com.br\/blog\/?p=192"},"modified":"2026-04-03T11:25:15","modified_gmt":"2026-04-03T14:25:15","slug":"8-de-marco-uma-escuta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rafadutra.com.br\/blog\/2026\/03\/23\/8-de-marco-uma-escuta\/","title":{"rendered":"8 de mar\u00e7o: uma escuta"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"427\" src=\"https:\/\/rafadutra.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/@salaabc-36-1024x427.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-202\" srcset=\"https:\/\/rafadutra.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/@salaabc-36-1024x427.png 1024w, https:\/\/rafadutra.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/@salaabc-36-300x125.png 300w, https:\/\/rafadutra.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/@salaabc-36-768x320.png 768w, https:\/\/rafadutra.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/@salaabc-36.png 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Sou homem.&nbsp;<br>\u00c9 importante que esta seja a primeira coisa a ser dita neste texto, pois o que compartilho aqui n\u00e3o vem de uma viv\u00eancia em primeira pessoa, mas de uma &#8220;<em>escuta<\/em>&#8220;.<\/p>\n\n\n\n<p>Sou psic\u00f3logo, e nos atendimentos muitas vezes utilizo uma express\u00e3o em que digo &#8220;conseguir ter no\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o conseguir ter a dimens\u00e3o&#8221; daquilo que estou vendo ou ouvindo.<\/p>\n\n\n\n<p>Compreendo, analiso, ajudo a elaborar, mas estou do lado de fora, sou estrangeiro dessas viv\u00eancias todas e, portanto, tudo o que disser, pensar ou sentir, sempre ter\u00e1 uma lacuna.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Levando em considera\u00e7\u00e3o meu lugar e a exist\u00eancia dessas lacunas, gostaria de compartilhar algumas reflex\u00f5es.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 muitos anos me considero feminista, com todas as contradi\u00e7\u00f5es e quest\u00f5es que isso promove. E h\u00e1 muitos anos acompanho os movimentos do 8M (o oito de mar\u00e7o), o Dia Internacional da Mulher.<\/p>\n\n\n\n<p>Sempre afetado, aprendendo, refletindo e tentando compor a luta, ecoar a voz, silenciar, potencializar discursos e a\u00e7\u00f5es, desconstruir e reconstruir refer\u00eancias, ideias, sentimentos, desejos e percep\u00e7\u00f5es que me constituem enquanto homem e pessoa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Mas o 8M de 2026 me atravessou diferente!<\/p>\n\n\n\n<p>As pautas hist\u00f3ricas estavam l\u00e1: fim da viol\u00eancia contra mulher, combate ao machismo, igualdade de direitos, legaliza\u00e7\u00e3o do aborto, etc. Algumas pautas contempor\u00e2neas foram agregadas, como o fim da escala 6&#215;1, a criminaliza\u00e7\u00e3o da misoginia e a den\u00fancia dos efeitos nocivos do discurso redpill. No entanto, havia uma quest\u00e3o que vinha de outro lugar:<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&#8220;DEIXEM AS MULHERES VIVAS!&#8221;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Me parecia uma mistura de raiva, \u00f3dio, medo e desespero que se expressava em v\u00e1rios cartazes, conversas, palavras de ordem e conte\u00fados que circularam nas redes sociais.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Os n\u00fameros das viol\u00eancias contra as mulheres s\u00e3o bizarros de assustadores e revoltantes, mas a quest\u00e3o do feminic\u00eddio me pareceu estar ocupando um outro lugar este ano.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos \u00faltimos meses as tantas not\u00edcias tr\u00e1gicas de mulheres assassinadas produziu um grande impacto, at\u00e9 mesmo os homens mais conservadores expressaram seu espanto. No entanto, foi se configurando uma dimens\u00e3o subjetiva que me parece ter colocado as mulheres em outro lugar com muita intensidade: o medo de morrer, de ser a pr\u00f3xima v\u00edtima, de se tornar a pr\u00f3xima not\u00edcia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Como se n\u00e3o bastasse todos os enfrentamentos que a condi\u00e7\u00e3o de g\u00eanero exp\u00f5e e violenta as mulheres cotidianamente em nossa cultura, o viver sob amea\u00e7a constante, quando n\u00e3o mata, adoece.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Neste contexto, a raiva e o \u00f3dio se configuram n\u00e3o apenas como express\u00e3o de consci\u00eancia e sa\u00fade, mas como necessidade de sobreviv\u00eancia:&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&#8220;PAREM DE NOS MATAR!&#8221;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o h\u00e1 nada mais objetivo e concreto do que o grito pela vida. Estamos falando de um dos direitos mais b\u00e1sicos do nosso pacto civilizat\u00f3rio que tamb\u00e9m tem estado sob constante amea\u00e7a: O DIREITO \u00c0 VIDA!&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Artigo 3\u00b0 da Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos Humanos: &#8220;<em>Todo ser humano tem direito \u00e0 vida, \u00e0 liberdade e \u00e0 seguran\u00e7a pessoal<\/em>!&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Vida, que para mim, \u00e9 uma das grandes marcas das mulheres, as \u00fanicas que carregam em si a pot\u00eancia de gerar uma nova vida. E \u00e0quelas nas quais, em nossa cultura, foi legado o trabalho de cuidar e zelar pela vida. E s\u00e3o justamente elas que vivem, cotidianamente, acompanhadas pelo medo da morte!&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o apenas as tantas mortes simb\u00f3licas, mas a morte concreta, onde as flores v\u00e3o em cima do caix\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste 8M de 2026, fui atravessado por este &#8220;medo-desespero-raiva-\u00f3dio&#8221; que tem composto o cotidiano das mulheres em nosso pa\u00eds, para al\u00e9m de todas as quest\u00f5es legitimadas hist\u00f3ricamente de luta das mulheres por igualdade, justi\u00e7a e liberdade: o medo de morrer!<\/p>\n\n\n\n<p>Estamos falando de uma condi\u00e7\u00e3o subjetiva de guerra. Sofrimento, medo, viver sob amea\u00e7a, ser impactada constantemente pelas velhas not\u00edcias das novas v\u00edtimas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Diante de tudo isso, \u00e9 preciso fazer esta escuta, \u00e9 preciso fazer esta den\u00fancia, \u00e9 preciso problematizar este fen\u00f4meno junto aos homens e \u00e9 preciso compor um pacto pela vida.<\/p>\n\n\n\n<p>De fato, precisamos construir um outro mundo, este nosso modelo de sociedade mata!&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Forte abra\u00e7o!<br>Rafa Dutra&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sou homem.&nbsp;\u00c9 importante que esta seja a primeira coisa a ser dita neste texto, pois o que compartilho aqui n\u00e3o vem de uma viv\u00eancia em primeira pessoa, mas de uma &#8220;escuta&#8220;. 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